Nutrição e hipotiroidismo

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O prefixo hipo significa: pouco, escassez. Portanto hipotiroidismo significa há uma diminuição das hormonas da tiróide, mais especificamente T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Os sintomas do hipotiroidismo são diversos:
– Cansaço;
– Depressão;
– Pele ressequida;
– Cabelo áspero e com quedas;
– Unhas quebradiças;
– Obstipação (prisão de ventre);
– Anemia;
– Perda do apetite;
– Aumento de peso;
– Tornozelos e rosto inchados;
– Colesterol elevado;
– Pressão baixa;
– Batimentos cardíacos mais lentos;
– Menstruação irregular;
– Falhas de memória.


O défice de hormonas da tiróide causa um aumento do peso, por desaceleração do metabolismo. Este aumento de peso pode ser muito rápido, dependendo do desequilíbrio das hormonas tiróideas. É comum acontecer em fases críticas do ciclo de vida, como na menopausa nas mulheres. De facto, o problema é mais comum do que parece. Estima-se que 1 em cada 10 portugueses sofra de doenças da tiróide, afetando especialmente as mulheres acima de 45 anos. Entre as principais causas de problemas na tiróide está uma alimentação desequilibrada, relacionada principalmente com o consumo inadequado de minerais, como o iodo, o cálcio, o ferro e o selénio. Mas também o excesso de peso e a obesidade! Isto é, se tem peso a mais, tem mais risco de desenvolver hipotiroidismo, por isso previna-se e mantenha um peso saudável.

Antes de mais, uma pessoa com hipotiroidismo deve controlar a sua doença com medicação. Isto é, deve ser vigiada e acompanhada por um médico, por forma a determinar uma dose de medicação que mantenha estáveis as concentrações de hormonas tiróideas. Só após conseguir este equilíbrio deve enveredar por um tratamento nutricional de emagrecimento. Ainda assim, durante a perda de peso deve manter uma estreita vigilância sobre a doença, através de análises ao sangue semestrais. É muito provável que haja necessidade de adaptar a dosagem de medicação durante o tratamento nutricional. Há o mito de que uma pessoa com “problemas de tiróide” não emagrece tanto ou engorda com mais facilidade. Isso não é verdade desde que a tiróide esteja devidamente medicada. Deste modo, tudo depende de si!


 Alimentos benéficos para a tiróide são alimentos ricos em iodo, ferro, selénio, zinco, vitamina A, fibras alimentares  e ómega 3:

  • Fontes de iodo: Algas ( chlorella, spirulina), mariscos, sal iodado, peixes de mar. O sal iodado é a melhor forma de suplementação em iodo. Uma alimentação equilibrada fornece o iodo de que precisamos, especialmente se comermos peixe com regularidade.
  • Fontes de ferro: feijão e carne vermelha magra (uma porção por semana), levedura de cerveja.
  • Fontes de selénio: cereais integrais, amêndoas, marisco e carne de aves.
  • Fontes de zinco: bivalves, mariscos, amêndoas, carne vermelha magra.
  • Fontes de vitamina A: cenoura, abóbora, fruta, peixe e gema de ovo.
  • Fontes de ómega-3: salmão, sardinha, óleo de linhaça.
  • Fibras, porque evitam o aumento brusco de açúcar no sangue.


Alimentos a usar com moderação:

  •  Brócolos, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, espinafre, nabo, rabanete e milho.

 Estes vegetais crucíferos contêm glucosinatos que são metabolizados em tiocianatos. Estes compostos inibem o transporte de iodo e a sua incorporação na tiroglobulina. Aumenta assim a produção de TSH e a proliferação das células tiróideas. Devido a esta característica são denominados vegetais bociogénicos. Quando cozinhados, os glucosinatos são neutralizados. 

Alimentos a evitar: 

  •  Açúcar e alimentos refinados como farinha de trigo e açúcar: massas, arroz, pão branco, sobremesas doces e refrigerantes.

Estes alimentos aumentam muito a necessidade de insulina. A sua libertação pelo pâncreas obriga a uma boa coordenação com outras glândulas, nomeadamente as supra-renais e a tiróide. 

  • Cafeína em excesso e chá verde, por diminuírem a absorção do medicamento Levotiroxina.
  • Sementes de linho (também dão origem a tiocianatos).
  • Soja. Os fitoestrogeneos da soja diminuem a absorção do fármaco levotiroxina no intestino e são capazes de suprimir parcialmente a actividade da tiróide, agravando o hipotiroidismo (para a proporção de 30g ou mais de soja por dia).

As isoflavonas, presentes na soja, têm uma estrutura similar às hormonas tiróideas T3 e T4. Estas substâncias inibem a fixação de iodo na tiróide, pelo que as concentrações de T3 e T4 diminuem, aumentando a produção de TSH. 
A lecitina de soja é também um derivado da soja, mas não tem qualquer influência no funcionamento da tiróide; é um emulsionante que pode, inclusivamente, ajudar a controlar os níveis de colesterol no sangue.

Dietista Denise Gomes

Post introduzido por Denise Gomes

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