A doença celíaca

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Numa altura em que tanto se fala em glúten, intolerância e afins, resolvi falar um bocadinho sobre a doença celíaca.

O que é?

  • Trata-se de uma sensibilidade intestinal à gliadina, componente da proteína gluteína, presente em muitos cereais, como sejam, o trigo, a aveia, a cevada e o centeio.
  • A doença começa entre os 6-12 meses de idade após a diversificação alimentar e é habitualmente diagnosticada por volta dos 2 anos de idade.
  • Na doença celíaca a mucosa intestinal é lesada pelo contato com a proteína gluteína.
  • A doença provoca disturbios da digestão. A pessoa emagrece, apresentado no entanto uma barriga desproporcionalmente grande e distendida. A criança tem diarreias , não aumenta o peso e parece não ter massa muscular. As suas fezes têm um cheiro fétido e são esbranquiçadas, gordurosas e volumosas. Após iniciar uma dieta sem glúten, a criança melhora significativamente.
  • O diagnóstico é feito através de análises ao sangue e às fezes.

Intervenção dietética:

  • Os cereais com glúten devem ser evitados até aos 6 meses de idade. Até esta idade a doença celíaca é muito perigosas.
  • A partir dos 6 meses de idade devem ser dados cereais à criança. Nesta idade o diagnóstico é mais fácil.
  • Deve amamentar o seu filho o máximo de tempo possível, pois, estatisticamente, a incidência da doença diminui com o aleitamento materno prolongado.
  • Quando diagnosticada doença celíaca, todos os alimentos com glúten (aveia, o trigo, a cevada e o centeio) devem ser tirados imediatamente da dieta da criança. O que significa que a criança não poderá comer bolachas, bolos , o pão e muitos outros alimentos que fazem as delicias dos mais pequenos. Há que recorrer aos produtos sem glúten e preparar alimentos ao gosto da criança com farinhas sem glúten.

Hoje em dia existem, felizmente, muitos produtos sem glúten, como por exemplo, bolos, massas, gelados, etc. No seu rótulo tem a indicação de <<Produto sem glúten>>.

Para garantir uma dieta isenta de glúten, é necessário que os pais aprendam a ler corretamente os rótulos dos alimentos e a identificar todos os constituintes que possam conter glúten.

Alimentos permitidos:

  • Leite e derivados: leite materno, de vaca, de cabra, de ovelha, leite em pó, leite condensado, queijo fresco, requeijão, natas.
  • carnes
  • Peixes
  • Ovos
  • Gorduras
  • Hortaliças e legumes
  • Frutas
  • Farinhas e cereais: farinha de arroz, milho, amido de milho, tapioca, soja, araruta, mandioca, fécula de batata, farinhas para crianças sem glúten.
  • Produtos açucarados: açúcar, mel, geleias e doces de fruta caseiros, todos os bolos e bolachas feitos com farinhas permitidas. Cacau puro, gelatina.
  • Bebidas: água, infusões de ervas, chá, sumos de fruta e legumes naturais, limonada,
  • Condimentos: sal, limão, ervas aromáticas vinagre, maionese caseira.
  • Sopas: Caseiras, canja sem massa ou com massa sem glúten.

Alimentos proibidos:

  • Leite e derivados: leites aromatizados (sabor a morango, chocolate, etc), queijos de barra, queijo flamengo, queijo creme, iogurtes com cereais, sobremesas lácteas industrializadas.
  • Carnes: Todas as conservas de carne, panados, croquetes, rissois, carnes cozinhadas industrialmente.
  • Peixes: preparados industrialmente, panados.
  • Hortaliças e legumes: Todos os de conserva, cozinhados industrialmente.
  • Farinhas e cereais: Aveia, trigo, cevada, centeio, malte, gérmen de trigo. Todos os alimentos preparados com estes cereais.
  • Produtos açucarados: chocolates, preparações industriais, chocolate em pó, sobremesas instantâneas.
  • Sopas: Prontas, instantâneas ou enlatadas.
  • Bebidas: achocolatadas, misturas com malte, batidos industrializados, cerveja.
  • Condimentos: Temperos e molhos comerciais, maionese comercial, caldos industriais.

Veja mais aqui: http://www.celiacos.org.pt

Posso ser intolerante ao glúten sem ter a doença celíaca?

Sim, há cada vez mais relatos de pessoas que parecem ser intolerantes ao glúten. Para pacientes que relatam intolerância ao trigo ou sensibilidade ao glúten, exclua doença celíaca (com anticorpos antiendomísio e/ou antitransglutaminase tecidual e biópsias duodenais numa dieta que contém glúten) e alergia ao trigo (dosagem sérica de IgE ou teste cutâneo para trigo). Os pacientes com resultados negativos devem ser diagnosticados com sensibilidade ao glúten não celíaca.

Estes beneficiam sintomaticamente com uma dieta livre de glúten, mas devem ser informados de que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma entidade clínica reconhecida há pouco tempo, cujo curso natural e cuja fisiopatologia ainda não são totalmente compreendidos.

Nutricionista Denise Gomes

Post introduzido por Denise Gomes

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